Espionagem é a ponta do iceberg

Espionagem é a ponta do iceberg
Rodrigo Aron     06/09/2013

Após o caso de espionagem relatado pelo ex-analista da NSA (Agência de Inteligência norte-americana), Edward Snowden, ficou difícil medir quais os limites da privacidade online. Agora, além da preocupação com os temíveis hackers, governos e entidades privadas representam um novo potencial inimigo à confidencialidade dos dados.

Segundo Marcos Nader, especialista em Segurança da Informação e CEO do Comprova.com, portal brasileiro de comprovação legal de transações eletrônicas e certificação digital, o caso de monitoria revelado é apenas a ponta do iceberg, mesmo a invasão ao email da presidente Dilma Roussef. “O que pode haver por trás dessa iniciativa é o que preocupa, eles (EUA) podem estar planejando algo muito maior”, afirma. Para o executivo, a investigação escusa dos dados nacionais, se levadas a impactar no âmbito comercial do País, podem causar danos enormes à economia do Brasil, uma das mais relevantes nações emergentes da atualidade.

Analisando esse cenário, Nader adverte que todos os segmentos estão à mercê da espionagem norte-americana e inclusive de outros países. “Qualquer informação industrial ou comercial pode render vantagens competitivas a outras nações, por isso a proteção dos dados é cada vez mais importante para a economia nacional como um todo”, explica. O CEO compara a necessidade de aprimorar a Segurança da Informação brasileira ao índice Risco Brasil, conceito referente a impactos negativos na economia causados pela mudança do ambiente de negócios. “Não são só as estradas físicas precisam de melhorias, as vias digitais também”, emenda.

Embora ainda faltem informações relacionadas à monitoria norte-americana, como os meios utilizados para coletar e analisar os dados, quem está no alvo espionagem, quem são os parceiros dessa iniciativa e a real finalidade da inquirição, muitas ferramentas podem ajudar na proteção da privacidade, aponta Marcos Nader. De acordo com ele, o governo brasileiro possui soluções próprias, desenvolvidas no País, de criptografia, redes de entrega de dados (SDN) entre outros serviços com capacidade de dificultar a quebra de sigilo.

Afora esse fato, existem no mercado plataformas e dispositivos com as mesmas funções de segurança. “Caberá a cada empresa decidir o nível de proteção nos negócios, pois é tudo uma questão de investimento. Quem enxergar a SI como um diferencial, proporcionará melhores serviços”, argumenta. O executivo também atenta para a criação de políticas e metodologias de identificação, como os logs. O objetivo dessas práticas é aumentar a capacidade de controle da rede e assim garantir soberania da organização sobre os próprios ativos.

Males que veem para o bem

As revelações de Edward Snowden causaram rebuliço em todo o mundo, gerando desconfiança global em relação ao governo de Barack Obama. Mas, nem tudo deve ser visto como algo ruim. De acordo com Marcos Nader, esse caso está servindo para aumentar a conscientização das corporações quanto ao sigilo online e a necessidade de investir em Segurança da Informação. 

“As empresas, de modo geral, estão percebendo o quão intrínseca é a afinidade da proteção dos dados com os negócios. O que é uma coisa boa”, diz o executivo. Para ele, estamos no meio de uma importante mudança do paradigma corporativo referente à defesa cibernética, e o caso Snowden serviu para acelerar esse processo.

Prova desse acontecimento é o crescimento de 80% registrados pelo Comprova.com nos três últimos anos, relata Nader, e finaliza. “Estamos sob o olhar do mundo inteiro, as organizações não podem fechar os olhos para a concorrência internacional. E não só pela confidencialidade dos dados, mas também pelo controle dos processos de negócios, fluxo de informações, enfim, por todos os aspectos econômicos e financeiros envolvidos.”

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